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Atualmente quando pensamos na palavra ansiedade ocorre-nos de imediato um problema de saúde sério, com o qual é muito difícil de conviver, pois pode causar desconforto extremo e uma enorme perturbação na nossa vida. Contudo, a ansiedade, na sua origem, é uma resposta natural do corpo humano. Parece-lhe estranho? Pois bem, continue a ler para perceber melhor o que é a Ansiedade, porque surge, como evolui no organismo e quando se pode tornar um problema. A ansiedade como mecanismo de sobrevivênciaNa sua origem, a Ansiedade é uma resposta fisiológica que nos instiga a atuar perante uma situação de perigo iminente. Imagine os nossos antepassados a viver em espaço aberto. De repente aparece um animal perigoso, um predador. Automaticamente é ativada uma resposta do sistema nervoso, preparando o corpo para uma reação de luta ou fuga, que vai libertar na corrente sanguínea hormonas de stress. Ou seja, a resposta de Ansiedade vai salvar a vida do nosso antepassado! Como vemos neste exemplo, é necessário um certo nível de Ansiedade para podermos lidar com situações em que estamos em risco, mas a Ansiedade não deve chegar a ponto de nos debilitar, que é o que acontece infelizmente com muitas pessoas. Quando o stress causa sintomasUm nível moderado de stress possa ser positivo para o desempenho em algumas situações. Pode ajudar-nos a estar mais atentos antes de um exame, de uma apresentação importante ou de um momento de grande responsabilidade. Contudo, quando o stress e a ansiedade são intensos, podem tornar-se prejudiciais para a saúde física e mental. O stress excessivo e prolongado no tempo pode ser extremamente prejudicial e causar problemas de hipertensão, enxaquecas, alterações gastro-intestinais, ansiedade, depressão e ataques de pânico. Para compreender melhor como o stress evolui no organismo, é útil conhecer o trabalho de um dos principais investigadores desta área. As 3 Fases do Stress segundo Hans SelyeUm dos pioneiros do estudo do stress e dos primeiros cientistas a usar o termo stress aplicado à fisiologia foi o Professor Hans Selye, médico investigador na área de endocrinologia. O professor, que estudou durante vários anos os efeitos do stress, demonstrou, através das suas experiências científicas, que o stress não é um conceito vago, mas um fenómeno médico e biológico real, cujos mecanismos podem ser objetivamente identificados e com o qual podemos viver muito melhor quando sabemos como lidar com ele. Em geral, as respostas do organismo ajudam-no a adaptar-se a novos estímulos ou mudanças ambientais, mas podem causar doença quando o stress é intenso ou prolongado. Segundo os seus estudos, quando uma pessoa é exposta a uma situação de stress prolongado, o organismo passa por três fases principais. Este processo ficou conhecido como Síndrome Geral de Adaptação. 1. Fase de AlarmeO processo começa quando um indivíduo se depara com um estímulo potencialmente causador de stress, que é percebido como uma ameaça, como por exemplo: presença de um predador; ameaça à segurança ou integridade física e emocional da pessoa, mudança súbita na vida pessoal, profissional ou social, morte um de parente próximo, trânsito caótico, competição profissional… Diante de um ou mais estímulos, o indivíduo entra na 1ª Fase descrita por Selye, designada por fase de alarme, que o estimula a entrar em ação para fugir ao perigo ou lutar. Aqui é ativada uma resposta do sistema nervoso central, preparando o corpo para uma reação de “luta ou fuga”, que envolve uma série de alterações metabólicas e reações químicas, que vão libertar na corrente sanguínea hormonas de stress (adrenalina e cortisol) e gerar impulsos nervosos. Como consequência, acontecem reações corporais a vários níveis:
Se o indivíduo conseguir lidar com o estímulo causador de stress, eliminando-o da sua vida, ou aprendendo a lidar com ele, o organismo volta à situação de equilíbrio interno. Mas, se pelo contrário, o estímulo persistir e o indivíduo não tiver encontrado uma forma de se reequilibrar, irá haver uma evolução para a fase seguinte. 2. Fase de ResistênciaNa 2ª Fase, designada por fase de Resistência, o organismo continua a procurar adaptar-se aos estímulos causadores de stress, pelo que persiste o desgaste necessário à manutenção da actividade e de um metabolismo elevado. No entanto, os sinais típicos da fase de alarme praticamente desapareceram e a resistência está acima do normal. Por isso, esta fase pode ser perigosa, pois devido à capacidade de adaptação do organismo, as pessoas por vezes não se dão conta do estado em que estão. É nesta fase que começam a aparecer as primeiras consequências mentais, emocionais e físicas do stress. 3. Fase de ExaustãoCom a persistência de estímulos causadores de stress, o indivíduo entra na 3ª Fase, designada por fase de exaustão. Nesta fase a resistência do organismo esgota-se, tendo gasto todas as suas reservas físicas, mentais e emocionais. Há uma grande quebra a nível do sistema imunitário e reaparecem os sintomas da fase de alarme de forma intensa, podendo dar lugar à instalação de doenças físicas ou psíquicas. Os sintomas nesta fase podem ser muitos e variados, alguns dos mais comuns são:
Como lidar melhor com a ansiedadePerante este quadro, tomamos consciência de que não é fácil eliminar completamente o stress da nossa vida.
A boa notícia é que podemos aprender a lidar melhor com a ansiedade, readquirir o controle e equipar-nos com um conjunto de ferramentas que nos permitam reencontrar o nosso equilíbrio, quando ele é ameaçado. Desenvolver estratégias de gestão emocional, melhorar hábitos de vida e compreender melhor o funcionamento da mente pode ajudar a recuperar o equilíbrio. Em muitos casos, procurar apoio psicológico pode ajudar a reduzir os níveis de ansiedade, melhorar o bem-estar emocional e desenvolver ferramentas para lidar com ela de forma mais saudável. E assim poderá recuperar gradualmente a sensação de controlo e começar a viver de forma mais calma e positiva. Se sente que a ansiedade está a afetar o seu dia-a-dia, fale comigo e agende a sua consulta. Pode saber mais sobre o acompanhamento psicológico aqui Leia também: Sintomas de Burnout: Sinais de Alerta e Quando Procurar Ajuda Regresse ao Blog Os comentários estão fechados.
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AutorSara Cardoso Ressalva: Os conteúdos disponibilizados neste blog têm caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substituem o aconselhamento profissional, médico ou psicológico, nem constituem uma forma de diagnóstico ou tratamento. A leitura deste blog não cria uma relação entre terapeuta e paciente. Categorias |
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